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Desde a visita de quarta-feira (26) -
ainda não convincentemente explicada sob a qual motivo - ao ex-presidente José
Sarney (MDB), o governador Flávio Dino (PCdoB) e seus aliados políticos, além
de jornalistas, blogueiros e radialistas que o enaltecem, vêm dando a este
encontro uma dimensão surpreendente, como se fosse o fato mais importante do
ano e que vinha sendo ansiosamente aguardado há muito tempo.
O primeiro se pronunciar sobre o
ocorrido foi o próprio governador, minutos depois de deixar a residência do
ex-presidente em Brasília (DF). Quem publicou na frente dos demais
comunicadores teve seu trabalho classificado como Fake News, o modo operandi
mais comum nestes tempos para se tentar desqualificar uma informação
desagradável, por mais que seja verdadeira.
Depois de confirmada a veracidade do
fato, os que chamavam de fake passaram a dar a versão de que houve um encontro
de estadistas, ou seja, aquele que até uma semana atrás era o mais ultrapassado
oligarca do Brasil, o grande responsável por tudo de ruim que existe no
Maranhão, passou a ser visto como um político tão decente a ponto de ter
chegado ao nível de Flávio Dino para uma conversa de alto nível, para juntos
buscarem a salvação nacional. Não faltam os que dizem ter sido uma conversa
sobre eleição presidencial, isto é, Flávio Dino correndo atrás do apoio daquele
que dizia, com tanto gosto, ter dizimado da política com sua vitória em 2018.
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| José Sarney mantém silência sobre o fato como se ele nunca tive existido |
O que mais chama atenção nisso tudo é
que enquanto um lado comemora tanto essa visita, do outro ela é tratada como se
nunca tivesse existido. Dizem até que a pressa de Flávio Dino em dar a
informação sobre a visita foi se antecipar à versão do Sistema Mirante e
jornalistas alinhados ao Grupo Sarney, mas pelo menos no que se percebeu em
vontade do "oligarca" para explorar o fato, nada a revelar. Em seu
site - www.josesarney.ogr.br - e nas suas crônicas, nenhuma linha, enquanto os
veículos de comunicação da família trataram com muita discrição: uma nota na
coluna Estado Maior, em O Estado do Maranhão, e uma reportagem de rodapé sobre
repercussão na Assembleia Legislativa, onde comunistas, petistas e outros istas
de "esquerda" se deleitaram com o acontecido, e só.
Engana-se quem pensa que o assunto se
esgotará neste domingo, com a entrevista ao Jornal Pequeno, pois isto ainda
será tema de debates até o Natal e Réveillon, como se o governador tivesse,
finalmente, conseguido o que mais perseguia desde que deixou a magistratura em
2006 para entrar na política: ter a oportunidade de também se aproximar de José
Sarney, assim como já haviam feito quase todos os políticos que o cercam e
ajudam a formar o grande grupo que estaria empenhado em salvar o Maranhão. Só
faltava ele, mas esse dia chegou.
Antes se diz que do Grupo Sarney
ainda não haviam se alinhado a Flávio Dino apenas José Sarney e os filhos
Roseana e Sarney Filho, pois os demais - deputados, senadores, vereadores,
prefeitos, ex-secretários etc - todos já estavam sob o manto do Palácio dos
Leões.
Nova política, velhas práticas!

