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| Totoabas no México. 2017. — Foto: AFP PHOTO/SEA SHEPHERD CONSERVATION SOCIETY |
Diante do declínio da população da espécie, que só existe
no Golfo da Califórnia, pesca da totoaba foi completamente proibida em 1975.
Desde então, atividade se tornou um negócio lucrativo para uma rede mafiosa, o
chamado Cartel do Mar.
Por RFI
O Mar de Cortez, no norte do México, é um paraíso de biodiversidade. Mas a pesca ilegal da
totoaba, um peixe muito procurado na China, está colocando em risco essa espécie,
assim como a vaquinha do mar, um mamífero marinho do mesmo tamanho. Do outro
lado do Pacífico, clientes asiáticos ricos desembolsam milhares de dólares para
comer a bexiga da totoaba por suas propriedades supostamente curativas, mas
nunca comprovadas. Um comércio clandestino que segue impune e ameaça a fauna
local.
No mercado negro, o preço da colheita da
totoaba excede até mesmo o da cocaína, tornando-a um produto de luxo no
comércio ilícito internacional. Os chineses, os principais clientes desse
mercado clandestino e devastador, atribuem qualidades mágicas à bexiga desse
peixe, e também ostentam o produto como um marcador social de riqueza.
"A totoaba é um peixe encontrado
apenas no Golfo da Califórnia, especialmente concentrado na parte norte da
península. Esses peixes também são conhecidos como 'roncadores', pelo som que
emitem. São capturados também por sua carne, porque são peixes que crescem até
dois metros e são largos, sendo exibidos como troféus de pesca nos Estados
Unidos", explica Alejandro Olivera, representante da ONG
norte-americana Center for Biological Diversity, localizada na Califórnia, que
luta para proteger essa espécie.
"Agora, a espécie é também
caçada por outro motivo", diz o especialista. "Eles possuem um órgão
que se chama 'bexiga natatória', que garante a sua habilidade de flutuar na
superfície, ou de manter o equilíbrio nas profundezas. Esse órgão é agora
intensamente procurado por traficantes, porque é comercializado depois de seco
e é consumido como produto de luxo pelos países asiáticos. Por isso é tão
desejado", detalha o ativista.
"Cocaína do mar"
Diante do declínio da
população da espécie, a pesca da totoaba foi completamente proibida em 1975.
Desde então, essa atividade se tornou um negócio lucrativo para uma rede
mafiosa, o chamado Cartel do Mar, como constatou o jornalista belga Hugo Von
Offel, autor do documentário The
Godfather of the Oceans (O Poderoso Chefão dos Oceanos), que
estreou na televisão francesa em abril e investigou o comércio da totoaba,
apelidada pelos cartéis mexicanos de "a cocaína do mar".
"Os traficantes do cartel de
Sinaloa pescam a totoaba e a vendem por US$ 3 mil ou US$ 4 mil o quilo. A
bexiga pesa mais ou menos um quilo. Para se ter uma ideia, um quilo de camarão
custa entre US$ 15 e 10. Então a totoaba é um produto que muda a vida deles.
Eles o vendem a US$ 3 mil ou US$ 4 mil a um representante do cartel, que depois
o colocam num freezer para cruzar o deserto e a fronteira para lugares como
Tijuana, por exemplo, e vendem para a China a partir dos Estados Unidos, por
avião", explica Von Offel.
"Uma vez na China, a
bexiga da totoaba vale até US$ 50 mil por quilo. Isso é mais que a cocaína.
Obviamente o cartel não vai deixar passar essa oportunidade; da mesma forma que
se meteu no tráfico de drogas, armas e pessoas, agora ele se envolve no tráfico
de totoaba, e tomaram o controle desse tráfico. No entanto, há uma guerra em
curso muito perigosa entre o cartel de Sinaloa e outros grupos criminosos que
também querem lucrar com este negócio", diz o especialista.